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Re: Como fazer Kegel Corretamente

by Lore Louca Diego B Carvalho (2019-07-05)


Meu nível de autocontrole chegou a tal ponto que se eu não quiser gozar, eu simplesmente relaxo. Gozar se tornou uma decisão minha mais do que uma consequência natural do ato (claro que a qualidade do sexo ainda é importante para esse resultado!). Eu chegava a brincar com algumas delas desafiando-as a me fazer gozar antes delas, o que algumas levavam a sério (questão de honra!) enquanto outras estranhavam (cara de "esse-cara-tem-algum-problema"). Não surpreendentemente estas últimas, sem exceção, proporcionaram fodas medíocres.
No entanto, salvo uma, todas as gatas reclamaram que eu demorava demais: "Isso não é normal!".
Por mais que fosse bom pra elas, mesmo aproveitando sem medo da festa acabar cedo, elas não queriam "se preocupar em ter que, toda vez, se esforçar pra me fazer gozar". A princípio a interrogação que aparecia sobre minha cabeça era pequena, mas hoje já é do tamanho de uma casa.
Será que eu entendi tudo errado? A ideia do sexo não é curtir o momento, fazer a parceira gozar adoidado e esperar certa reciprocidade da parte dela? Ou o que as mulheres querem mesmo é se satisfazerem e nós homens temos de nos virar? Será que eu que sou azarado por só pegar mulherem que não curtem sexo mesmo? Será que aquilo a que me condicionei na verdade é uma desvantagem mais que uma vantagem? Te peço uma luz nesse assunto."

 

Olá, leitor.

Primeiramente, não acho que você tenha algo de errado, patologicamente falando. Não mesmo.

Pelo contrário, você está colhendo frutos de um belo treinamento. Muito se fala a respeito dos exercícios de musculo PC e seus benefícios, mas confesso que seu relato é um dos poucos que se vê por aí. É natural do ser humano não insistir em coisas que exijam muita disciplina; a imensa maioria dos que começam a exercitar o referido músculo simplesmente desiste após um tempo. A curto prazo, é notável a melhora da qualidade da ereção. Mas um relato de autocontrole como o seu é difícil de ver. Meus parabéns pela disciplina!

 

Porém, seu "erro" foi mais para o campo da psicologia feminina: abrir-se demais para suas companheiras. Aqui já estou entrando no campo do Dr. Love, mas como o email foi para mim, vamos em frente.

Imagine uma mulher, com conhecimentos convencionais sobre sexualidade, encarando alguém que entra de sola e lhe mostra um mundo completamente novo? É uma bomba para uma cabeça, naquele momento, limitada, não acha? Experimente mostrar um iPad para um índio silvícola. Lembro quando o mágico David Blaine foi à Amazônia fazer mágicas para índios: ele simplesmente não conseguiu fazer mágica com baralho. Os índios não entendiam números e naipes. Mais ou menos isso.

Um outro exemplo semelhante? Estimulação anal. Uma mulher mente aberta saberá que o fato de o cara gostar de estimulação na região anal não necessariamente quer dizer que ele é gay... Mas não é o tipo da coisa que qualquer mulher topa sem consequências.

Ademais, uma coisa importantíssima pra mulher é ela fazer o cara gozar. O seu "desafio", na verdade, fere a honra dela. Ela se sente incapaz de satisfazê-lo, e isso é frustrante. Por isso as reclamações que você ouviu. Parcela considerável da população feminina tem auto-imagem frágil. Qualquer ameaça a essa imagem vai gerar uma resposta muitas vezes defensiva – no caso, ofensiva, como foram os rótulos de "Isso não é normal".